sábado, 13 de maio de 2017

OLHAR PARA TRÁS


 Com o início da minha terceira década, rever o processo tornou-se inevitável. Foram tantos erros e tantos acertos que inviabilizam qualquer comparação. Quantos erros gratificantes, quantos acertos desastrosos. Quantas lembranças eu gostaria de esquecer, e tantos esquecimentos eu adoraria relembrar. Quantos homens eu não amei, mas deveria, e quantos amei equivocado.
 Que eu errei é óbvio. Feio. Olhando ao meu redor só vejo enganos. Está bem, não são só enganos, mas tem muito mais falhas do que acertos. E o pior é sempre me pareceu estar fazendo tudo corretamente. Minuciosamente correto. Mas os resultados sempre foram aquém do esperado. Será que eu errei na esperança? Expectei acima das possibilidades? Faltou empenho? Seria só incompetência? Ou será que é assim mesmo: todos erram mais do que acertam. Pensando bem, se os leões, predadores alfa, acertam alguma coisa em torno de 20 por cento de seus ataques, é justo que os demais errem mais do que acertem. Definitivamente eu não sei.
 Sempre achei que me estivesse preparando bem para os acontecimentos, para o futuro, para o que desse e viesse. Acreditava estar fazendo o que deveria fisicamente, intelectualmente, socialmente, culturalmente, enfim, seguia a cartilha, a meu ver, perfeitamente. Qual nada. Tudo errado! Quase tudo errado!
 Como não dá para consertar o que já foi feito, nem voltar atrás e começar tudo de novo, até porque provavelmente cometeria, se não os mesmos, outro montão de erros, talvez o melhor seja encontrar uma explicação (desculpa). Se não resolve, ao menos atenua.
 Hoje eu percebo que muitas das nossas escolhas são ditadas pelas circunstâncias, pelo momento, pela visão que temos do aqui e agora, e o que nos parecia perfeito para aquele agora, não o será mais depois de algum tempo, depois das mudanças do mundo ao nosso redor, das pessoas, das circunstâncias e, sobretudo, da nossa percepção de todo o conjunto.
 Mas o curioso é que quando tento imaginar o que eu faria diferente daquilo que fiz, e que hoje me parece completamente equivocado, não consigo encontrar uma resposta convincente. Parece que nós só percebemos os enganos, depois de enganados, ou porque fomos enganados. Os caminhos parecem-se uns com os outros, mas os destinos são muito diferentes, é por isso que nós só percebemos que estamos no lugar errado, quando lá chegamos.
 Como viver é sonhar, nós sempre estaremos perseguindo algum objetivo. A sabedoria talvez seja rebuscar nos cadernos de rascunho da nossa vida indícios do que poderia ter sido uma boa escolha, ao invés daqueles que sugerem que a escolha não era lá tão boa assim. Muitas vezes nós temos essa percepção e não a consideramos na hora de decidir. Acho que precisamos aprender a escolher a escolha.
 Como no caso dos caminhos nós nunca poderemos ter a certeza de que a decisão está correta, até depois de conviver com os seus resultados, mas nossas chances aumentam quando nós ouvimos as vozes do passado da nossa própria história.
 Seria tão absolutamente gratificante se conseguíssemos ensinar aos jovens que existe um passado atrás de todos os velhos que talvez merecesse ser visitado e que, talvez assim, o que vai ser o seu passado, daqui a alguns anos, seja menos sofrido e contenha mais acertos que erros.

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